quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ESTADO DE MINAS GERAIS

Minas Gerais


Bandeira
Brasão
Mapa

Hino
Sem hino oficial [+]
Capital Belo Horizonte
Área Total 588.528,29 km²
Sigla MG Região
Sudeste
população 20.595.499 hab (2006)



É o segundo estado mais populoso do Brasil. Somente a capital, Belo Horizonte, possui em torno de cinco milhões de habitantes em sua região metropolitana. Situa-se na região sudeste e tem como limites São Paulo a sul e sudoeste, Mato Grosso do Sul a oeste, Goiás a noroeste (além de uma pequena divisa com o Distrito Federal), Espírito Santo a leste , Rio de Janeiro a sudeste e Bahia a norte e nordeste.



Minas Gerais é o terceiro estado mais rico do país, ficando atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Na economia, pode ser citada a agricultura, com a produção de café, cana-de-açúcar, soja, milho, abacaxi, feijão e banana; e a pecuária, com a bovinocultura de corte, suinocultura, avicultura e a produção de leite. Os setores industrial e de serviços equilibram-se na economia do estado (45,4% e 46,3% do PIB).



O estado possui o terceiro maior parque industrial do país e tem como destaques a indústria de mineração, metalúrgica, automobilística, alimentícia, têxtil, construção civil, produtos químicos e minerais não-metálicos.

APRENDENDO A EXPLORAR O MEIO AMBIENTE

Aprendendo a explorar o meio ambiente


Os problemas ambientais brasileiros, principalmente a destruição de nossas reservas florestais, há muito tempo são motivos de grande preocupação. Se conhecermos a estrutura e o funcionamento de um ambiente, podemos adotar diversas medidas de proteção ou de recuperação de áreas.







Atualmente, os governos e membros da sociedade civil dos mais variados países vêm se organizando sob forma de entidades e associações, a fim de de definir procedimentos que incentivem a preservação da natureza e divulguem as questões relacionadas com o meio ambiente.



O trabalho desenvolvido por essas organizações exige a colaboração de especialistas de várias áreas, entre as quais as ciências naturais, políticas e sociais. Seus objetivos podem ser variados, tais como realizar pesquisas, promover estudos e aplicação de leis de proteção ambiental, elaborar e aplicar projetos de educação neste setor, ou dirigir-se a um campo mais específico, como por exemplo lutar pela preservação de uma espécie ameaçada de extinção.



Além disso, é fundamental que cada segmento da sociedade, e em particular cada cidadão, tenha conhecimentos dos problemas ambientais e participe das suas soluções. O interesse por essas questões vem crescendo diariamente em todas as partes do mundo. Diversos representantes da sociedade estão compreendendo que é preciso um esforço conjunto para preservar o ambiente na Terra e garantir a melhoria da qualidade de vida das populações.



Os principais problemas


Primeiramente, é importante lembrar que a reciclagem dos materiais no ambiente é um processo demorado. Quando a retirada de um determinado elemento do solo é mais rápida do que sua reposição, há um esgotamento, que se manifesta por meio de uma queda na produtividade. Os agricultores sabem que as plantas precisam de nutrientes variados, que se encontram no solo graças à atividade de certos microorganismos. Se forem feitas culturas sucessivas, esses nutrientes acabam se esgotando e a produção começa a cair. Haverá então duas alternativas: acrescentar artificialmente os nutrientes retirados, ou deixar que a recomposição se faça normalmente, esperando um certo tempo até o solo se recuperar.







Os recursos naturais não-renováveis, uma vez esgotados, não se refazem e, portanto, sua utilização deve ser feita com muito cuidado. Sabendo que um dia eles irão faltar, o homem precisa pensar antecipadamente numa maneira de substituí-los por outros capazes de desempenhar funções semelhantes. Como os recursos renováveis exigem um certo tempo para recomposição, a humanidade não disporá de estoques se o consumo não for controlado e a população humana crescer além de determinado limite. Utilizar racionalmente os recursos naturais significa ampliar a capacidade produtiva do ambiente em favor do homem, sem, no entanto, degradar a natureza.



WWW.SOGEOGRAFIA.COM.BR

ESTAÇOES DO ANO

Estações do ano


Chamamos de estação do ano cada uma das quatro subdivisões do ano baseadas em padrões climáticos. São elas: primavera, verão, outono e inverno. As estações do ano ocorrem devido à inclinação da terra em relação ao sol. Podemos dizer então que as estações são ocasionadas pelo eixo de rotação da Terra, juntamente com o movimento da mesma em torno do sol, que dura um ano e recebe o nome de translação. Veja a seguir as características de cada uma delas.






Primavera
(do latim: primo vere, no começo do verão)



Inicia após o Inverno (aproximadamente no dia 20 de março no Hemisfério Norte e 23 de setembro no Hemisfério Sul) e seu sucessor é o Verão (termina aproximadamente no dia 21 de junho no Hemisfério Norte e 21 de dezembro no Hemisfério Sul).



A principal característica da primavera é o reflorescimento da flora e da fauna terrestres.



Verão
(do latim vulgar: veranum, veranuns tempus, tempo primaveril ou primaveral)



Inicia após a Primavera (aproximadamente no dia 21 de junho no Hemisfério Norte e 21 de dezembro no Hemisfério Sul) e seu sucessor é o Outono (termina aproximadamente no dia 23 de setembro no Hemisfério Norte e 21 de março no Hemisfério Sul).



Neste período, as temperaturas permanecem elevadas e os dias são mais longos.



Outono
(do latim autumno)



Inicia após o Verão (aproximadamente no dia 23 de setembro no Hemisfério Norte e 22 de março no Hemisfério Sul) e seu sucessor é o Inverno (termina aproximadamente no dia 21 de dezembro no Hemisfério Norte e 20 de junho no Hemisfério Sul).



Nesta estação, os dias ficam mais curtos e mais frescos. As folhas e frutas já estão maduras e começam a cair. Os jardins e parques ficam coberto de folhas de todos os tamanhos e cores.



Inverno
(do latim: hibernu, tempus hibernus, tempo hibernal)



Inicia após o Outono (aproximadamente no dia 21 de Dezembro no Hemisfério Norte e 21 de junho no Hemisfério Sul) e seu sucessor é a Primavera (termina aproximadamente no dia 21 de março no Hemisfério Norte e 23 de setembro no Hemisfério Sul).



A principal característica do inverno é a queda da temperatura, podendo variar em algumas regiões bem abaixo de 0 ºC, até mesmo no Brasil.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

DISTURBIOS DE APRENDIZAGEM

O que são Distúrbios de Aprendizagem?

Quanta coisa há para saber sobre disturbios ou dificuldades de aprendizagens. Estou postando alguas coisas para comparação e compreensão dessas causas que atrapalham o desenvolvimento educacional de crianças e jovens.


Os distúrbios de aprendizagem podem ser encontrados em crianças, adolescentes e pessoas na fase adulta. Eles geram dificuldades que estão presentes no cotidiano da escola sendo enfrentadas por educadores e também pelos responsáveis e demais pessoas que convivem com indivíduos detentores desses problemas. Muitas vezes, crianças e adolescentes têm sua imagem denegrida por adjetivos como, por exemplo, preguiçosas e desinteressadas em função da falta de conhecimentos de seus educadores. Existe um grande número de professores que desconhecem os distúrbios deaprendizagem e não possuem as capacidades necessárias para lidar com eles, agindo de forma errônea na execução do seu trabalho. As próprias crianças são o alvo para explicar o fracasso escolar e as responsabilidades por não aprenderem são atribuídas a elas mesmas. Em muitos casos, é desenvolvida uma autoestima negativa e isso pode ser levado até a vida adulta. Além de prejudicar de forma particular essas crianças, ainda impede o envolvimento do processo de ensino de uma maneira geral, isentando o sistema

de ensino de qualquer erro ou defasagem em sua qualidade. Para analisar as

dificuldades de aprendizagem é preciso considerar o processo todo e não apenas a

capacidade de quem aprende ou deixa de aprender. Sendo assim, é fundamental que

os educadores, de maneira geral, conheçam os problemas mais comuns relacionados

à aprendizagem para saber agir diante deles ou, ao menos, encaminhá-los a

profissionais especializados.

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Os distúrbios de aprendizagem não são caracterizados pela falta de

inteligência, mas ao contrário. Muitas das pessoas que os possuem têm QI

(Quociente de Inteligência) acima da média. Eles constituem deficiências

reversíveis, tendo que receber atenção especial e formas de ensino apropriadas.

As deficiências no processo de aprendizagem podem ter diversas causas que

afetam a capacidade dos indivíduos. Exemplos delas são problemas no aparelho

auditivo ou na visão, conflitos no ambiente familiar, defasagem na qualidade do

ensino, inadaptação ao método utilizado, aversão por determinada matéria,

diferenças culturais, problemas sociais como a desnutrição, questões genéticas,

ocorrência de acidentes e muitas outras.

Em função da grande quantidade de causas que podem ser atribuídas às

dificuldades de aprendizagem, existem muitas crianças que são encaminhadas para

tratamentos médicos e psicológicos desnecessariamente. Por isso, é preciso ter claro

que o diagnóstico correto de um distúrbio de aprendizagem depende de uma série

de procedimentos como o acompanhamento constante da criança, a análise de um

especialista e condições adequadas de vida. Muitos dos problemas podem ser

resolvidos facilmente e detectar a causa deles evita que a criança passe por situações

mais difíceis e desconfortáveis sem que isso seja preciso.

Durante o curso serão abordadas as dificuldades encontradas na realização de

atividades como a leitura, a escrita, a fala, funções motoras, raciocínio e habilidades

matemáticas. Elas são percebidas, na maioria das vezes, no início do processo de

aprendizagem, quando a criança passa a frequentar a escola e surgem diferenças no

acompanhamento dos conteúdos com relação aos demais alunos da mesma faixa


etária.

A aprendizagem pode ser compreendida como um processo que se realiza no

interior do indivíduo e que provoca uma mudança de comportamento. Na sociedade

atual, o conhecimento é de extrema importância e tem diferentes significados,

atingindo o indivíduo, a família, o meio social, a escola e os educadores.

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O sucesso escolar para as crianças evidencia o seu desempenho na atuação como

aluno; para a família, o sucesso escolar dos filhos se traduz em êxito no

cumprimento de seu papel como responsáveis e educadores e, para a escola, alunos

com bom desempenho significam profissionais bem sucedidos no futuro.

Sendo assim, faz-se necessário que os distúrbios de aprendizagem sejam

conhecidos por todos aqueles que rodeiam o processo educacional, para que seja

possível uma atuação em conjunto capaz de trazer resultados efetivos. O que se

nota, é que conforme os conteúdos vão aumentando o seu grau de dificuldade e o

tempo vai passando, os obstáculos enfrentados pelas crianças também tendem

apenas a aumentar, tornando o tratamento cada vez mais difícil e intensificando as

demais questões enfrentadas pelos alunos.

1.2. Diferenças entre Dificuldades e Distúrbios de Aprendizagem

Existe uma ampla discussão entre autores e profissionais da área da educação

com relação a esse assunto. No entanto, não há um consenso ou uma posição definida

para o mesmo. Dessa forma, vamos adotar neste curso o princípio de que existem

determinadas diferenças entre os termos “dificuldades” e “distúrbios” de aprendizagem.

O termo “dificuldades” pode ser usado para designar qualquer tipo de obstáculos

encontrados pelos indivíduos no processo de ensino-aprendizagem. Eles podem ser das

mais diversas ordens. Muitas vezes, os problemas não estão no aluno, mas ligados a

elementos externos que o influenciam. Abaixo você pode ver exemplos de fatores que

causam dificuldades na apreensão do conhecimento:

Problemas sociais como a desnutrição

Ausência de motivação

Conflitos familiares

Baixa qualidade do sono

Diferenças culturais

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Deficiências na estrutura da educação: salas superlotadas; professores mal

remunerados, pouco treinados e sobrecarregados

Material didático inadequado

Inadequação metodológica

Mudanças no padrão de exigências da escola

Baixo QI (Quociente de Inteligência)

Falta de interesse

Problemas na visão

Problemas na audição

Problemas genéticos

Comprometimentos neurológicos

Problemas de ordem psicopedagógica

Assim, pode-se perceber que, independente da natureza das causas, elas podem

gerar dificuldades e até mesmo impedimentos nas capacidades de aprendizado dos

indivíduos. Porém, durante este curso, o foco será dado aos Distúrbios de

Aprendizagem. Eles também causam dificuldades no processo de aprendizagem, porém

suas causas estão ligadas a características específicas dos indivíduos que refletem em

dificuldades também específicas como será visto ao longo do curso. Abaixo você pode

ver algumas características de pessoas que possuem Distúrbios de Aprendizagem:

Apresentam quociente de inteligência normal, muito próximo da normalidade ou

até mesmo superior.

Não apresentam deficiências sensoriais, nem neurológicas significativas.

Possuem rendimento escolar insatisfatório em relação às demais pessoas que se

encontram na mesma faixa etária.

Apresentam uma disfunção no sistema nervoso central.

Suas dificuldades são detectadas, na maioria das vezes, no início da

alfabetização, quando a criança passa a frequentar a escola e nota-se suas

diferenças de aprendizado em relação ao restante do grupo.

Têm dificuldades em um aspecto específico da aprendizagem (leitura, fala,

escrita, matemática, raciocínio).

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Ao contrário das dificuldades de aprendizagem, que podem estar ligadas a

problemas externos ou a um conjunto de elementos, os distúrbios de aprendizagem

estão mais vinculados ao próprio aluno independente de questões relacionadas, por

exemplo, à estrutura geral da educação ou ao ambiente familiar e suas condições

econômicas, atingindo a criança em nível individual. Essas questões podem influenciar

de forma negativa a aprendizagem, mas não são determinantes nesses casos.

As características que devem ser observadas em crianças que possuem distúrbios

de aprendizagem, são dificuldades específicas para a realização de atividades como a

leitura, a escrita, a fala, o raciocínio e as habilidades matemáticas. Essas crianças

precisam de atenção e tratamentos diferenciados como a ajuda de profissionais

especializados, formas diferentes de ensino, escolas com recursos específicos, entre

outras.

É preciso estar claro, como já foi dito anteriormente, que a confirmação de um

diagnóstico de distúrbio de aprendizagem, depende de um conjunto de fatores e exames

específicos. Crianças com dificuldades causadas por outros motivos podem ter seus

problemas sanados quando inseridas em ambientes com qualidades diferenciadas de

organização, ambientes saudáveis e profissionais capacitados.

As dificuldades de aprendizagem podem ser transitórias quando suas causas são

tratadas ou eliminadas, enquanto os distúrbios permanecem pela vida toda, já que são

disfunções do sistema nervoso central. Eles também podem e devem ser tratados,

porém, essas ações representam alternativas para que as pessoas possam conviver de

forma saudável com suas dificuldades e saber como superá-las e não constituem curas

definitivas.

Dessa forma, a disfunção neurológica é uma característica fundamental para

diferenciar uma criança com distúrbios de aprendizagem daquelas que apenas

apresentam algumas dificuldades. Aqueles têm uma relação médica, o que explica o

fato de apenas uma pequena parte da população que encontra dificuldades de

aprendizagem, terem nos distúrbios as causas de seus problemas.

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1.3. A Educação Infantil

A existência de uma educação infantil de qualidade é fundamental para todas as

escolas que trabalham com esta faixa etária. É necessário que se tenha educadores

prontos a superar qualquer espécie de

problemas presentes em sua docência,

pois, existem diversos tipos de alunos

e, no caso dos que estamos tratando

aqui neste curso, torna-se

indispensável que todos os

professores, mas principalmente os da

área infantil, tenham conhecimentos

sobre os distúrbios de aprendizagem.

Para os pais de crianças com essas

dificuldades, torna-se mais complicado reparar esses problemas sem o apoio da escola e

de profissionais capacitados.

A escola e os pais devem caminhar sempre juntos, afinal é na instituição de

ensino que a criança passa a maior parte do tempo e, por isso, ela também deve ter

conhecimentos e ambientes específicos para pessoas que apresentam esses distúrbios,

contando com profissionais também especializados no assunto. Ao perceber que o aluno

encontra dificuldades no aprendizado, a escola deve avisar aos pais desde o início, para

que se possa buscar um diagnóstico mais preciso. Caso o aluno continue apresentando

os mesmos resultados, é necessário procurar psiquiatras infantis e pedagogos

especializados no assunto. A criança precisará de todo o apoio possível, tanto da escola

como em seu ambiente familiar.

ESTE É O FIM DA UNIDADE 1! NESTA UNIDADE VOCÊ APRENDEU QUE:

Os Distúrbios de Aprendizagem são causados por problemas no sistema nervoso

central que geram dificuldades em áreas específicas da aprendizagem.

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Existem algumas diferenças entre o termo “dificuldades” e “distúrbios” de

aprendizagem e elas devem ser consideradas quando este tema é abordado.

Para lidar com os distúrbios de aprendizagem é preciso a ajuda de profissionais

especializados.

A maior parte dos distúrbios passam a ser percebidos quando as crianças

começam a frequentar a escola e, por isso, é necessário que as mesmas estejam

inseridas em instituições de ensino de qualidade capazes de ajudá-las.

Unidade 2 – Tipos de Distúrbios de Aprendizagem

As pessoas que possuem distúrbios de aprendizagem, assim como todas as

outras, têm capacidade menor para realizar determinadas atividades e uma afinidade e

facilidade maior para outras. Essas dificuldades podem ser de diferentes naturezas e

esse será o assunto tratado nesta unidade.

Os distúrbios de aprendizagem podem ser classificados em distúrbios de entrada

ou saída. Os principais tipos de distúrbios e as diferentes implicações que eles têm na

aprendizagem serão vistos a partir deste momento.

Classificação dos distúrbios

2.1. Distúrbios de Entrada

Os distúrbios de entrada se caracterizam pelas informações chegadas ao cérebro

que podem ser através do ouvido (entrada de audição) e da visão (entrada visual). E esse

processo todo de entrada, é realizado no cérebro.

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2.1.1. Distúrbios de Percepção Visual

O distúrbio de percepção visual não se caracteriza por pessoas quem têm

dificuldades para enxergar em função de

problemas como, por exemplo, a miopia e o

astigmatismo. Nesse distúrbio, as duas

características mais presentes são:

Dificuldade em definir a posição e/ou forma do que se vê

A entrada de informação pode ser recebida com letras ao contrário ou giradas

Essas características podem fazer com que a criança confunda letras semelhantes

como o b com o d, o g com o q, o f com o v e outras variações de letras que

possuem um som parecido na hora de se dizer alguma coisa como, por exemplo, em

faca = vaca.

As crianças têm esses distúrbios detectados geralmente na fase em que estão

começando a ler, escrever e copiar letras e desenhos. Algumas das dificuldades que

elas costumam apresentar são:

Leitura (trocam as linhas na hora da leitura, pulam palavras)

Erros na avaliação de profundidade (esbarram o tempo todo nas coisas)

Não conseguem entender direita e esquerda, em cima e em baixo

Não conseguem determinar sua posição no espaço

Não conseguem participar de atividades esportivas como pegar uma bola ou

pular corda, por serem inseguras com as informações que recebem.

Essas dificuldades fazem com que a criança tenha uma limitação para fazer as

coisas, pois ela não consegue determinar a sua posição no espaço, podendo se confundir

em locais como campos abertos ou ginásios. Na hora de praticar algum esporte, por

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exemplo, ao jogar futebol, o cérebro dela vai precisar perceber a posição correta da bola

e o seu trajeto e dizer para as partes do seu corpo exatamente o que elas precisam fazer.

A má percepção de distância ou de velocidade ou a fato de seu cérebro orientar o corpo

de forma errônea, faz com que ela não alcance a bola de maneira alguma.

No momento de transmitir a informação, é encontrada uma dificuldade

consideravelmente grande, pois a criança recebe uma informação que ultrapassa o seu

objetivo ou não chega a ele, como o exemplo da bola.

2.1.2. Distúrbios de Percepção Auditiva

Assim como o distúrbio de percepção visual,

este está ligado às dificuldades da leitura. A

percepção auditiva consiste na transformação do som

para uma informação. As pessoas com distúrbio de

percepção auditiva, não conseguem fazer esta

transformação com perfeição, pois o conteúdo que é recebido no cérebro chega

distorcido, apresentando várias falhas como, por exemplo, a troca de palavras. Elas

também não têm a capacidade de processar as entradas de som tão rápido como as

outras pessoas, o que é conhecido como retardo auditivo. São características de pessoas

com distúrbio de percepção auditiva:

Dificuldades em distinguir pequenas diferenças nos sons compreendendo a

mensagem de forma incorreta. Exemplo: Confundir bala com bola.

Dificuldades com a relação figura e fundo. Exemplo: A criança está assistindo

televisão num local em que há outras pessoas conversando. Alguém, em outro

cômodo, chama a criança e começa a falar com ela. A mesma não consegue

distinguir a voz, demorando para percebê-la. Essas crianças são vistas pelos pais e

educadores como aquelas que nunca prestam atenção a nada do que lhe é dito.

Para lidar com pessoas que apresentam essas características, é preciso falar

devagar, dar as instruções separadamente para que elas consigam acompanhar as

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mesmas, entre outros cuidados. Se as falas forem realizadas de forma rápida,

provavelmente parte das informações serão perdidas.

2.1.3. Distúrbios de Integração

Esses problemas também constituem distúrbios de entrada, mas estão ligados a

outros sentidos diferentes da visão e da audição. Quando as informações chegam ao

cérebro, elas precisam ser compreendidas, o que se dá em dois momentos: a sequência e

a abstração. As pessoas podem ter esse distúrbio em uma área ou outra ou, ainda, em

ambas.

Distúrbios de Sequência

As crianças que apresentam esse distúrbio compreendem as informações

transmitidas, mas não conseguem repetir suas sequências. Veja alguns exemplos abaixo:

Uma criança pode ouvir ou ler uma história, mas, na hora de recontá-la,

pode inverter a ordem dos fatos discorrendo, primeiramente, sobre o final

e depois ir para o início da história.

Nas operações matemáticas, os problemas são entendidos, mas, as ordens

invertidas:

Exercício: 4 + 2 = ? Resposta dada pela criança: 4 + 6 = 2.

Pessoas com essas características também podem encontrar dificuldades com

jogos de tabuleiro que exijam um movimento

em sequência; ao colocar cada coisa em seu

lugar arrumando uma mesa de jantar, ou, ainda,

ao realizar a grafia de palavras, trocando a

ordem das letras. Uma criança que tem

dificuldade em dar sequência ao que é visto, tem

um distúrbio de sequência visual e outra que tenha dificuldade em dar sequência ao que

é ouvido, tem distúrbio de sequência auditiva.

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Distúrbios de Abstração

A abstração diz respeito à capacidade de dar significados às coisas. Em crianças

com distúrbios de abstração, e informação recebida é registrada e colocada na sequência

correta. Porém, não se pode fazer relações com o conhecimento adquirido e nem

significá-lo.

Exemplo: Um educador pode ler uma história sobre policiais e perguntar para a criança

se ela conhece algum policial que seja da família ou alguém com quem tenha contato.

Essa criança não tem capacidade para responder a esse questionamento, pois ela

consegue falar apenas do policial da história de forma específica e não sobre esses

profissionais de forma geral.

2.1.4. Distúrbios de Memória

Quando se recebe uma informação, além da mesma ter que ser registrada e

compreendida, ela precisa ser arquivada para que possa ser usada em outros momentos,

o que se dá através da memória. Existem dois tipos de memória: a memória a curto

prazo e a memória a longo prazo.

A memória a curto prazo se refere a guardar uma informação no momento em

que se concentra nela. Ela dura apenas minutos ou horas e faz com que seja possível

continuar as atividades ou pensamentos no presente. Um exemplo que pode ser usado é

quando alguém recebe um número de telefone. Certamente, ele poderá ser usado se a

ligação for realizada dentro de pouco tempo, mas, será esquecido se a ligação é deixada

para o dia seguinte ou depois.

Já a memória a longo prazo, refere-se ao processo em que a repetição de uma

informação faz com que ela seja gravada ou arquivada. Esta memorização faz com que

seja possível recordar-se rapidamente ao pensar nela ou levar um pouco mais de tempo,

mas, ainda assim, ter a informação na memória. Como exemplo, pode-se pensar em

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como cada um lembra o endereço de suas respectivas casas, mas encontra mais

dificuldades em lembrar o endereço de familiares ou amigos.

Crianças com distúrbios de memória, geralmente têm a sua memória de curto

prazo afetada. Esses problemas também podem atingir de forma significativa o

desempenho escolar. Muitas vezes são necessárias de 10 a 15 repetições para memorizar

algo que uma criança sem este distúrbio o faria em 3 ou 5 repetições. No entanto, essas

pessoas não possuem dificuldades na memória a longo prazo, podendo lembrar de

determinados acontecimentos nos mínimos detalhes.

2.2. Distúrbios de Saída

Assim como determinadas pessoas encontram dificuldades na forma como

recebem as informações, outras têm problemas no momento da saída de informações, ou

seja, no momento de concretização do conhecimento adquirido.

Isso é percebido quando a criança realiza ações como escrever, desenhar,

atividades motoras e outras. Quando essa dificuldade implica na escrita ou na fala, ela é

chamada de Distúrbios de Saída de Linguagem e, quando se dá na realização de

atividades musculares, é chamada de Distúrbios de Saída Motora.

2.2.1. Distúrbios de Linguagem

Os distúrbios de linguagem podem ser divididos em dois tipos: Distúrbio de

Linguagem Espontânea e Distúrbio de Linguagem de Demanda.

Distúrbio de Linguagem Espontânea

A linguagem espontânea se dá quando o indivíduo

inicia uma conversa através de um comentário, um

cumprimento ou um questionamento. Nesta forma de

comunicação, a pessoa que inicia a conversa escolhe o

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assunto que será tratado (provavelmente um do qual tenha conhecimento e facilidade

para discorrer), usa o tempo necessário para organizar seus pensamentos e encontrar as

melhores palavras para se expressar.

Porém, pessoas com distúrbio de aprendizagem espontânea, encontram

dificuldades em realizar tal tarefa, não iniciando diálogos ou, então, o fazendo de forma

inadequada.

Distúrbio de Linguagem de Demanda

Já a linguagem de demanda se dá quando alguém

iniciou uma conversa e é preciso interagir. Pessoas que

são portadoras deste distúrbio, geralmente não possuem

dificuldade com a linguagem espontânea.

Na linguagem de demanda, a outra pessoa é quem

estabelece a circunstância na qual você tem que se comunicar, de forma que não há

tempo para organizar os pensamentos e encontrar as palavras adequadas, mas, ainda

assim, é preciso responder de forma apropriada.

Pessoas com esses problemas costumam pedir para que a pergunta seja repetida,

pois, dessa maneira, conseguem mais tempo para pensar na resposta. Quando são

forçadas a dar uma resposta, o fazem de maneira confusa e é difícil acompanhá-las. Isso

pode parecer contraditório, já que este mesmo indivíduo consegue falar perfeitamente

em outros momentos como, por exemplo, quando inicia uma conversa.

Essas crianças podem ser vistas como preguiçosas pelos professores, afinal,

falam normalmente através da linguagem espontânea e, quando são questionadas, dizem

que não sabem ou simplesmente não respondem. Esse é o tipo de dificuldade que é

detectada apenas quando se conhece minimamente os distúrbios, de onde nasce a

importância de se ter profissionais capacitados para o processo de ensino-aprendizagem.

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2.2.2 Distúrbios de Atividade Motora

Os distúrbios de atividade motora podem ser divididos em dois tipos: distúrbio

de atividade motora grosseira e distúrbio de atividade motora fina.

O distúrbio de atividade motora grosseira é caracterizado pela dificuldade de

usar grandes grupos musculares. Ele faz com que a criança seja desajeitada fazendo-a

cair sobre as coisas ou enfrentar problemas para realizar atividades físicas como correr,

escalar ou nadar.

Já o distúrbio de atividade motora fina, consiste na dificuldade de realizar tarefas

que demandam que muitos músculos

trabalhem juntos. Ele é percebido quando a

criança começa a escrever. Ela apresenta uma

incapacidade de fazer com que os músculos

da mão dominante trabalhem em conjunto. A

sua velocidade de escrever não consegue

acompanhar o ritmo do seu pensamento, o que resulta em uma letra lenta e feia.

Escrever exige uma série de elementos que acabam passando despercebidos para

as pessoas que não possuem tais dificuldades como a forma, o tamanho, o espaçamento

e o posicionamento. Para crianças com distúrbios de atividade motora fina, esse

processo é muito mais complicado.

A partir desse momento serão conhecidos os principais distúrbios de linguagem

e de atividade motora, sendo que eles podem ser classificados como um e/ou outro.

Dislexia

Disgrafia

Disortografia

Afasia

Disartria

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Discalculia

Acalculia

Apraxia

Dispraxia

Gagueira

Déficit de atenção

A) Dislexia

A dislexia tem sido o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Ela reflete

na dificuldade de aprendizagem na

qual a capacidade de uma criança

para ler ou escrever está abaixo do

seu nível de inteligência. A mesma

pode ser caracterizada como uma

insuficiência para assimilar os

símbolos gráficos da linguagem.

Sua origem é congênita (nata) e

hereditária e seus sintomas podem

ser identificados logo na pré-escola em crianças que demoram para começar a falar ou

trocam os sons das letras e têm dificuldades para aprender a ler e escrever.

Ela pode ser chamada de “a mãe dos transtornos de aprendizagem” porque foi a

partir da identificação deste problema que se iniciou uma busca pelo conhecimento de

todos os outros tipos de distúrbios existentes. Com o passar do tempo, surgiu a

necessidade de estabelecer as diferenças entre os problemas na aprendizagem e, a partir

de então, eles começaram a ser subdivididos e classificados. A dislexia também foi

conhecida durante um grande período como “cegueira verbal congênita” devido às

dificuldades para ler e escrever em pessoas que possuíam visão normal.

Esse distúrbio se dá em crianças com audição, visão e inteligência normais, que

vivem em ambientes familiares saudáveis e possuem condições econômicas adequadas.

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Assim, em casos de dislexia, as causas não podem ser atribuídas a questões emocionais,

culturais ou instrucionais. Embora esses fatores tenham uma influência no desempenho

de pessoas disléxicas, eles não são determinantes.

Nos indivíduos que não possuem dislexia, a área esquerda do cérebro é a

responsável pela percepção e pela linguagem, subdividida em três partes: uma que

processa fonemas, outra que analisa as palavras e a última que reconhece as palavras.

Essas três partes trabalham em conjunto e dão capacidade para que os indivíduos

aprendam a ler e escrever. A crianças conseguem realizar essa tarefa apenas quando

reconhecem e processam fonemas, memorizando as letras e seus sons. Com o tempo e o

desenvolvimento da criança na leitura e na escrita, sua memória permanente começa a

ser construída, o que faz com que ela reconheça as palavras com mais agilidade e sem

grande esforço.

As crianças disléxicas possuem falhas nas conexões cerebrais. Elas podem

contar apenas com a região do cérebro responsável por processar fonemas e sílabas,

enquanto a área responsável pela análise de palavras, não exerce a sua função. Suas

ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e,

portanto, a criança não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A

leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser

nova e desconhecida. Para simplificar, pode-se dizer que a dislexia é causada por

alterações nas áreas do cérebro responsáveis pelos sons da linguagem e do sistema que

transforma o som em escrita.

Esse distúrbio é confundido com frequência com outros problemas de adaptação

escolar como os atrasos de desenvolvimento e a

deficiência mental ligeira, afinal, a criança

disléxica tem dificuldades em compreender o

que está escrito e de escrever o que está

pensando. Quando tenta expressar-se no papel, o

faz de maneira incorreta e o leitor não

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compreende as suas ideias. Abaixo você pode ver algumas das características mais

encontradas por crianças que têm dislexia:

Fraco desenvolvimento da atenção

Falta de capacidade para brincar com outras crianças

Atraso no desenvolvimento da fala e escrita

Atraso no desenvolvimento visual

Falta de coordenação motora

Dificuldade em aprender rimas/canções

Falta de interesse em livros impressos

Dificuldade em acompanhar histórias

Dificuldade com a memória imediata e a organização em geral

A pronúncia ou a soletração de palavras monossilábicas é uma dificuldade

evidente

Inversão de palavras de maneira parcial ou total

Exemplo: A palavra “casa” é lida como “saca”.

Inversão das letras e números

Exemplo: “p” por “b”; “3 por “5”

Alteração na ortografia em função de alterações no processo auditivo

Cometem erros na separação das palavras

Dificuldades em distinguir esquerda e direita

Alteração na sequência das letras que formam as sílabas e palavras

Dificuldades na matemática

Pobreza de vocabulário

Escassez de conhecimentos prévios (memória de longo prazo)

Falhas na elaboração de orações complexas e na redação espontânea

Copiam as palavras de forma errada mesmo observando na lousa como são

escritas.

Além disso, os disléxicos também sofrem com a falta de rapidez ao ler. Sua

leitura é sem ritmo e, muitas vezes e com muito sacrifício, decodificam as palavras, mas

não conseguem compreendê-las.

19

As características colocadas acima não são suficientes para se fechar um

diagnóstico a respeito da dislexia, afinal, existem outros distúrbios de aprendizagem que

também possuem elementos parecidos, no entanto, elas podem ser usadas como um

ponto a partir do qual se é levado a procurar a ajuda de profissionais especializados e

buscar formas de superação.

A dislexia é responsável por altos índices de repetência e abandono escolar. A

ausência de conhecimentos dos professores contribui para uma evasão escolar e o

agravamento dos problemas enfrentados pelas crianças. Essas são incompreendidas em

seu fracasso e não valorizadas em suas tentativas vãs para superar suas dificuldades,

desenvolvendo uma imagem negativa sobre si mesmas. A escola se torna um ambiente

que causa ansiedade e as exigências dos pais e professores acabam se revertendo em

comportamentos agressivos, inibições e outros.

As crianças disléxicas precisam olhar e ouvir atentamente, prestar atenção aos

movimentos da mão enquanto escrevem e da boca quando

falam para associar os fonemas aos seus sons e à sua escrita.

É recomendada a montagem de “manuais” de alfabetização

apropriada para pessoas com essas dificuldades. Além disso,

o sucesso escolar de um disléxico está baseado em uma

terapia multisensorial (uso de todos os sentidos), sempre

combinando atividades que motivem o uso da visão, da

audição e do tato para ajudá-lo a ler e soletrar corretamente

as palavras. Abaixo estão colocadas algumas atitudes que podem ajudar essas pessoas

no processo de aprendizagem:

Usar folhas quadriculadas para matemática.

Usar letras com várias texturas.

Usar máscara para leitura de texto.

Evitar dizer que a criança é lenta, preguiçosa ou compará-la aos outros alunos da

classe.

20

Não forçar a criança a ler em voz alta em classe a menos que demonstre desejo

em fazê-lo.

Suas habilidades devem ser julgadas mais em suas respostas orais do que nas

escritas.

Sempre que possível, a criança deve ser encorajada a repetir o que foi lhe dito

para fazer, isto inclui mensagens. Sua própria voz é de muita ajuda para

melhorar a memória.

Revisões devem ser frequentes e importantes.

Copiar do quadro é sempre um problema, tente evitar isso, ou dê-lhe mais tempo

para fazê-lo.

Demonstre paciência, compreensão e amizade durante todo o tempo,

principalmente quando você estiver ensinando a alunos que possam ser

considerados disléxicos.

Ensine-a quando for ler palavras longas, a separá-las com uma linha a lápis.

Dê-lhes menos dever de casa e avalie a necessidade e aproveitamento desta

tarefa.

Não risque de vermelho seus erros ou coloque lembretes como “você precisa

estudar mais para melhorar”.

Procure não dar suas notas em voz alta para toda classe, isso a humilha e a faz

infeliz.

Não a force a modificar sua escrita, ela sempre acha sua letra horrível e não

gosta de vê-la no papel. A modulação da caligrafia é um processo longo.

Use sempre uma linguagem clara e simples nas avaliações orais e

principalmente nas escritas.

Uma língua estrangeira é muito difícil para elas, faça suas avaliações sempre em

termos de trabalhos e pesquisas.

Além do apoio da escola, as crianças precisam receber apoio em casa. Os pais e

demais responsáveis devem ajudar a melhorar sua autoestima, oferecendo carinho,

sendo compreensivos e elogiando a cada acerto alcançado e encorajando a realização de

tarefas em que se saiam bem e que podem ser estimulantes. As crianças também devem

21

ser ajudadas em seus trabalhos escolares e não se pode permitir que seus problemas

escolares impliquem em mau comportamento ou falta de limites.

Para diagnosticar corretamente a dislexia, deve-se procurar a ajuda de

profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas e psicopedagogos. Não

se espera encontrar todas as dificuldades numa única criança disléxica, mas a presença

de pelo menos uma delas, associada às dificuldades de ler, pode fazer supor a existência

de um quadro de dislexia. Os problemas podem ser avaliados através de um

acompanhamento adequado e direcionado às condições de cada caso.

Faz-se necessário adequar métodos e materiais que atendam o desenvolvimento

da criança, bem como o acompanhamento e a observação para que se conheça as

particularidades de cada um considerando o seu tempo e a sua construção de saberes.

Para finalizar, é importante que se fale sobre o “dom da dislexia”. Quando um

dislexo domina alguma coisa, ele a aprendeu tão bem que pode fazê-lo sem pensar sobre

o que está fazendo. Dominar algo é realmente aprender algo. Se o processo de

aprendizagem é o mesmo, então quando alguém dominou alguma coisa, esta pessoa

criou conhecimento necessário para realizar aquela atividade.

B) Disgrafia

A disgrafia também é conhecida como “letra feia” porque as crianças que

possuem esse tipo de distúrbio, apresentam uma escrita ilegível e lenta. Isso leva a um

desempenho ruim na escola mesmo em alunos que possuem inteligência normal ou

acima da média. Esse problema constitui uma deficiência na qualidade do traço gráfico,

o que se reflete através de grandes dificuldades para escrever corretamente a linguagem

falada.

A criança com disgrafia tem dificuldades em coordenar as informações visuais e

na realização motora do ato de escrever. Alguém que tem apenas dificuldades para

escrever, mas não apresenta problemas em outras atividades motoras, provavelmente

não tem este distúrbio.

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Existem dois tipos de disgrafia: a motora e a pura. A primeira atinge a maioria das

crianças com este distúrbio e consiste na dificuldade

em escrever palavras e números corretamente. A

segunda é mais difícil de ser diagnosticada porque

aparece quando a criança sofre algum trauma

emocional e isso se reflete na sua letra. Existem

alguns sinais que podem indicar as relações entre os

problemas causados por este distúrbio e as condições emocionais da criança:

Letras pequenas demais podem indicar uma timidez excessiva.

Letras grandes demais podem indicar uma criança que necessita estar sempre no

centro das atenções.

Letras feitas com muita força, que chegam a marcar as outras páginas do

caderno, podem indicar que a criança esteja tensa.

No entanto, a disgrafia acontece também em crianças com capacidade intelectual

normal, sem qualquer transtorno neurológico, sensorial, motor ou afetivo. Elas, ainda

que tenham boas notas e facilidade de se expressar pela fala, não conseguem planejar os

movimentos para conseguir o traçado da letra. Ao observarem os conteúdos de uma

lousa ou um papel, não são capazes de reproduzir o que viram. Algumas das

características mais encontradas em crianças com este tipo de distúrbio são:

Letras ilegíveis

Traços pouco precisos ou incontrolados

Falta de pressão nos traços ou pressão muito forte a ponto de marcar o papel

Letras distantes ou extremamente juntas

Omissão de letras

Dificuldade em manter uma frase na mesma linha

Dificuldade em recordar a grafia correta para representar um determinado som

ouvido ou elaborado mentalmente

A criança escreve devagar, retocando cada letra, realizando de forma inadequada

as uniões entre as letras ou amontoando-as para esconder os erros ortográficos.

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A ortografia pode ser verificada como uma das dificuldades da disgrafia a partir do

momento que se exige rapidez e um ritmo gráfico de uma criança que ainda não

automatizou a relação som-letra. Nesse caso, a escrita das palavras é lenta e, na maioria

das vezes, incompleta, porque o aluno tem certas dificuldades em recordar com rapidez

qual a grafia para representar determinado som.

Todos os elementos anteriormente citados podem ser resumidos em três

características básicas:

Má organização da página

Essa característica está ligada à orientação espacial, ou seja, a criança encontra

dificuldades para organizar sua escrita numa folha de papel. O texto é apresentado de

forma desordenada com margens mal feitas ou inexistentes, espaço entre palavras e

linhas irregulares.

Má organização das letras

Incapacidade de seguir as regras caligráficas. O traçado é de má qualidade e os

contornos das letras são deformados.

Formas e proporções

Refere-se ao grau de limpeza do traçado das letras, sua dimensão (muito grandes ou

minúsculas), desorganização das formas e escrita alongada ou comprimida.

A disgrafia normalmente é observada um ou dois anos depois que a criança

aprende a escrever. É comum que os professores demorem para perceber o problema,

pois eles estão mais preocupados com o desenvolvimento intelectual dos alunos do que

com o motor. Embora não se treine de forma efetiva a organização espacial das

crianças, exige-se que elas tenham uma boa escrita, o que pode ser visto como uma

problemática na educação infantil. O professor deve ficar atento às possíveis posturas

inadequadas para poder corrigi-las o mais cedo possível e, junto com um profissional

especializado, estabelecer estratégias de ajuda que favoreçam a qualidade do traçado

gráfico.

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Uma grande parte dos professores não conhecem os distúrbios ligados à

aprendizagem e acabam julgando de forma errônea seus alunos ao dizer que eles não

são caprichosos, são preguiçosos e pouco esforçados. Por esse e outros motivos, é

preciso saber que o que diferencia uma letra sem capricho da disgrafia, é o fato de a

criança ter também outras dificuldades motoras leves como problemas na hora de

amarrar o sapato ou abotoar a camisa.

A idade mais indicada para se começar a tratar a disgrafia é a partir dos oito

anos, quando a letra começa a se firmar. Quando não tratado, o distúrbio pode trazer

problemas mais sérios na vida adulta, entre eles a dificuldade de comunicação. Em

processos seletivos como vestibulares, por exemplo, é preciso escrever textos

relativamente longos e tem-se pouco tempo disponível pra isso. Candidatos que sofrem

com a disgrafia, já se apresentam em desvantagem na concorrência.

Além da antecedência, a disgrafia precisa ser superada através de tratamentos

psicológicos e treinos motores. Sem a busca de um tratamento, a criança começa a se

sentir atrasada em relação aos outros alunos e não compreende porque não consegue se

expressar através das palavras no caderno. A finalidade dos tratamentos é fazer com que

a criança atinja o domínio do gesto e do instrumento, a percepção e compreensão da

imagem a reproduzir.

Algumas atitudes podem ser tomadas no sentido de minimizar os problemas

causados pela disgrafia. Pode-se citar como exemplo exercícios como o ombro (como

os realizados com o brinquedo “vai e vem”), para o cotovelo (como os realizados ao

jogar peteca), para os punhos e mãos (como brincar com massinhas ou argilas e pintar

com lápis de cor ou giz de cera).

Deve-se destacar ainda a importância dos esportes. Através deles é possível

trabalhar a orientação espacial e a coordenação motora da criança. Brincadeiras como

jogar vôlei, xadrez e peteca também podem ajudar na melhora da letra, já que fazem a

criança usar as mãos e planejar os movimentos.

25

Não se pode descartar o papel que pais e professores têm nesse processo. Eles

precisam estar cientes das capacidades motoras da criança e não exigir resultados que

estão acima daqueles que ela pode apresentar num dado momento. É claro que não se

pode esperar que o aluno desenvolva suas habilidades sozinho, mas sim estimular esse

desenvolvimento através de práticas motoras baseadas em crescimentos graduais que

exijam pouco a pouco mais rapidez e controle do ato motor.

O desenvolvimento do controle motor é uma característica básica para atingir a

qualidade na escrita. Afinal, o ato de escrever mobiliza uma série de segmentos do

corpo. Antes de se atingir o nível ideal de desenvolvimento motor, que permite a

realização da escrita de forma rápida, precisa, legível e sem cansaço, a coordenação

motora passa por diversos estágios. Em cada estágio um segmento do corpo realiza uma

função até chegar o momento em que se atinge o controle total do ato de escrever, que é

caracterizado pela fixação do cotovelo na mesa e a rápida movimentação dos dedos

durante a escrita.

Além disso, não se pode esquecer que, independente da presença ou ausência de

dificuldades das crianças na escrita, alguns fatores são fundamentais para qualquer

pessoa que se proponha a escrever. Deve-se tomar cuidado e orientar as crianças para

que tenham uma postura adequada na hora de sentar e pegar no lápis ou caneta e

posicionar corretamente a folha de papel ou caderno em que se pretende escrever.

Para finalizar o assunto sobre a disgrafia, é preciso citar dois assuntos que,

embora possam parecer básicos, são de extrema importância que sejam considerados: a

caracterização do início da alfabetização e as peculiaridades pessoais dos traços gráficos

ou da letra da cada um.

Quando começa a ser alfabetizada, é natural que as palavras da criança não

saiam de forma perfeita no papel, afinal, ela está apenas começando a aprender. No

entanto, se com o tempo e o treinamento em cadernos de caligrafia, a criança ainda

estiver longe de escrever corretamente, é preciso que pais e educadores comecem a

buscar as causas dessas dificuldades e procurem formas de superação.

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Por último, não se pode esquecer também que o traçado gráfico é feito de

características pessoais e, portanto, vai adotando peculiaridades individuais ao longo do

desenvolvimento de cada um. Baseados nisso, responsáveis e professores não podem

impor nenhum modelo de letra para os alunos, mas sim respeitar o seu grafismo desde

que ele seja legível, claro e atinja o objetivo principal da escrita, que é a transmissão da

linguagem oral com o máximo de eficiência sem o desprendimento de grandes esforços.

SÍNDROME DE MOEBIUS

SÍNDROME DE MOEBIUS
Um pouco mais sobre a síndrome de Moebius...

MANIFESTAÇÕES


Os nervos afetados na doença são o abducente e o facial, porém, muitas vezes há anomalias de outros pares de nervos cranianos. Como cada nervo é responsável por uma região da face, de acordo com os nervos afetados em cada caso há um conjunto de manifestações.

As manifestações mais frequentes estão listadas abaixo:

face em máscara ou falta de expressão facial;
inabilidade para sorrir;
estrabismo convergente;
ausência de movimentação lateral dos olhos e do piscar;
fissura palpebral;
dificuldade para fechar os olhos seguidos de ressecamento da córnea;
fraqueza muscular na parte superior do corpo;
hipoplasia de mandíbula e de maxila;
baba;
palato alto e estreito;
língua pequena ou mal formada;
alterações de dentes;
alterações na fala;
problemas auditivos;
malformações de extremidades;
polidactilia (dedo extra numerário) e sindactilia (dedos unidos);
miopatia primária;
retardo mental;
hérnia umbilical;
pés tortos congênitos;
contratura flexora de joelhos e tornozelos;


Em alguns casos a maioria das manifestações citadas está presente, porém pode acontecer de apenas algumas se manifestarem.





TRATAMENTO


Por apresentar múltiplas manifestações os portadores da síndrome deverão ser tratados por equipe multiprofissional especializada em tais casos. O tratamento deverá priorizar as diferentes necessidades físicas, cognitivas, sociais e emocionais dos pacientes.
Dependendo das necessidades, os pacientes precisarão de correção cirúrgica ortopédica (para os pés tortos) e oftalmológica (para estrabismo). Também são necessárias cirurgias para correção da polidactilia e sindactilia.
Se houver alteração neurológica, necessitarão de cuidados medicamentosos por parte do neurologista.



Quando bebês, enquanto não houver condições de alimentação por via oral, deverão ser alimentados por sondas e receber estimulação intra-oral, esta última realizada por fonoaudiólogo.
Será este último profissional que lidará com a alimentação, fala, linguagem e cuidados para com a expressão corporal favorecendo a ausência da mímica facial.


Qualidade de vida


O portador da Seqüência de Möebius pode ter vida normal?
Sim. Desde que o indivíduo não tenha outras manifestações associadas (convulsões, alterações ventriculares, hidrocefalia, lesões no SNC) sua vida pode ser normal.
Seu desenvolvimento motor para o andar pode ser retardado, devido à presença do pé torto congênito. Para que o paciente possa vir a caminhar são necessárias cirurgias ortopédicas para correção.
Quando não existe outra intercorrência o desenvolvimento é natural, o indivíduo pode freqüentar a escola e ter uma vida normal.


O que muitas vezes acontece, é um preconceito a partir de terceiros que excluem a pessoa devido à sua face estranha e inabilidade para falar, causando danos emocionais ao portador da doença.


A sua face sem expressão faz com que as outras pessoas acreditem que esses pacientes não tenham desenvolvimento cognitivo dentro da normalidade esperada, entretanto apenas 10% deles pode vir a ter alguma alteração nesse sentido.


A fala



Pelo fato de terem lábios e língua comprometidos em menor ou maior grau, a fala desses pacientes apresentará alterações.
Em algumas situações essas alterações poderão ser minimizadas por compensações.
Por exemplo, na impossibilidade de falar "mamãe" o paciente poderá falar nanãe ou produzir o som m com os dentes sobre o lábio inferior, realizando, portanto, uma adaptação.


Expressão corporal


A expressão corporal poderá ajudar esses pacientes.
A expressão corporal, ou o gesto, fazem parte da comunicação natural do homem. Quando se fala gesticula-se, estando ou não o interlocutor presente. Perante este pressuposto, propomos a utilização desses gestos de forma mais exuberante, na garantia de ajudar o paciente a manter a atenção de seu ouvinte.



Diagnóstico


Por apresentar múltiplas manifestações, tais pacientes deverão ser avaliados por equipe multiprofissional especializada em tais casos.





DEPOIMENTOS


Quem desconfiou do problema do Bruno Mateus foi a fonoaudióloga que o acompanhava. Ela indicou que eu procurasse uma neuropediatra especialista em Moebius em Belém/PA pois ela poderia confirmar o diagnóstico. E foi isso que fiz. Ela solicitou uma ressonância nuclear magnética e constatou a presença da síndrome.
Fiquei surpresa com a reação dos familiares, pois todos reagiram com preocupação, é claro, mas se mostraram otimistas e fortes para que eu não me abalasse no momento.
Ele hoje está reagindo muito bem. Fez as cirurgias de correção do pezinho, já está andando, entende tudo o que a gente fala e pede. Fala apenas vóvó. Porém é uma criança acompanhada por fisioterapeuta, fonoaudióloga, cardiologista, neurologista e pediatras. Acredito até que ele seja uma criança superativa.
Priscila Nery, de Macapá-AP
mãe de Bruno Mateus, portador da Síndrome de Moebius




Tenho uma filha chamada Júlia Azevedo de dois anos de idade. Quando ela tinha seis meses constatamos que tinha um atraso neurológico e mais tarde ela foi inserida nesta síndrome.
Quando engravidei tinha 16 anos e tomei o citotec, e hoje venho descobrir que foi a causa do problema da minha filha. Mas por outro lado, acho que a aceito bem, sem nenhum tipo de preconceito.
Quero parabenizar a idéia do site pois não sabia que tinha de fazer a operação ortopédica e fiquei sabendo por meio deste. A minha dúvida é que minha filha não apresenta nenhum tipo de atrofia nos músculos da face e apresenta um sério problema auditivo. Eu gostaria de saber de casos semelhantes.
Bruna
mãe de Júlia Azevedo, portadora da Síndrome de Moebius




fonte: Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP/telefone (11) 5549-7500
e-mail zelitaferreira@uol.com.br

SÍNDROME DE RETT

SÍNDROME DE RETT
Há estranhos experimentos da natureza; a síndrome de Rett é um deles.


A doença se instala ao redor de um ano de idade, mas não é herdada geneticamente; surge como conseqüência de um defeito descrito por Huda Zoghbi em 1999: uma mutação no gene MECP2, localizado no cromossomo X. Como os meninos têm apenas uma cópia de X (que forma par com Y), desenvolvem uma doença grave que evolui com dificuldade respiratória. Poucos sobrevivem um ano ou dois.


Já as meninas podem viver até sessenta ou setenta anos. São mais protegidas, pelo fato de possuir dois cromossomos X: se o gene MECP2 sofrer mutação num deles, a cópia normal presente no outro contrabalançará em parte o desequilíbrio causado.


Elas apresentam desenvolvimento neuromotor e se comportam como as outras crianças até a idade de um ano. Ao redor do primeiro aniversário, os pais percebem que a filha regride: não pronuncia palavras já conhecidas, torna-se introspectiva, desinteressada e perde a habilidade de executar certos movimentos.


Daí em diante, elas se tornam ansiosas, irritadiças e passam a exibir movimentos estereotipados com as mãos. Embora mais tarde possam recuperar parte da capacidade de interagir socialmente, o comprometimento das funções cognitivas e motoras costuma ser grave a ponto de impedir que levem a vida por conta própria.


Trabalhos recentes têm demonstrado que essas mutações não são exclusivas das meninas com síndrome de Rett; podem ocorrer também em casos de autismo, esquizofrenia, epilepsia e de retardo mental.


Esclarecer os mecanismos pelos quais mutações num único gene podem causar tal variedade de distúrbios é fundamental para entender o funcionamento do cérebro.


Todo gene é responsável pela codificação de uma proteína. A proteína codificada pelo gene MECP2 está presente em grandes quantidades nos neurônios. Ela faz parte de um grupo de proteínas conhecidas como “silenciadoras”, por bloquear a função de determinados genes.


Mutações no gene MECP2 provocam anomalias na estrutura da proteína codificada por ele. Alterada, ela não consegue exercer sua função silenciadora sobre um gene muito ativo no sistema nervoso, que é o gene responsável pela codificação de uma proteína conhecida como BDNF, essencial para o ajuste fino na formação de novas sinapses entre os neurônios.


Para ficar claro: a mutação no gene MECP2 leva à produção de uma proteína “silenciadora” defeituosa, incapaz de silenciar no momento adequado o gene que coordena a produção do BDNF, fator encarregado de ajustar a formação de novas sinapses, os espaços através dos quais o fluxo de informações trafega de um neurônio para outro.


Todos dizem que perdemos neurônios ao envelhecermos. É verdade -- embora ninguém saiba o que isso significa --, mas nada se compara aos bilhões perdidos ao ensaiarmos os primeiros passos. A nova perspectiva que as imagens do mundo adquirem com o corpo na vertical, obriga nossos neurônios a recriar a arquitetura do sistema de conexões. Nessa fase, os neurônios incapazes de estabelecer novas conexões para adaptar-se à nova realidade, morrem, no melhor estilo de competição e seleção natural, como nos ensinaram Wallace e Darwin.


Nos estágios iniciais da vida, as sinapses seguem o plano arquitetado pela programação genética. É a interação com o meio que faz o ajuste fino das conexões essenciais para o desenvolvimento. Se nessa fase, uma mutação genética faz aparecer uma proteína defeituosa que não silencia no momento preciso o gene que produz BNDF, essencial para a formação de novas sinapses, estamos diante de um problema sério.


Não é à toa que os primeiro sinais da síndrome de Rett aparecem ao redor de um ano de idade, época em que nosso cérebro é obrigado a exibir a mais importante de suas habilidades: a plasticidade condicionada pela experiência. Graças a ela somos os únicos animais capazes de viver nas geleiras da Groenlândia e no deserto do Saara, de escrever livros e de compor sinfonias.


fonte: drauziovarella.com.br

SINDROME DE WILLIAMS (HIPERATIVIDADE)

Síndrome de Williams
Hiperatividade


Pessoas com SW geralmente são hiperativas. Segue uma reportagem técnica dirigida principalmente a psiquiatras e professores, mas é interessante que pais tenham este conhecimento também pois assim poderão entender que o comportamento "elétrico" de seu filho é uma disfunção cerebral que pode ser tratada


TRANSTORNO POR HIPERATIVIDADE
(CRIANÇA HIPERCINÉTICA, DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA, TRANSTORNOS DISRUPTIVOS)


Escrito por Geraldo J. Ballone


É relativamente recente o interesse da psiquiatria por este distúrbio do desenvolvimento infantil e as primeiras observações que alinhavaram o quadro foram feitas por Dupré, em 1913. Em 1947, o assunto foi retomado por Strauss e Lehtinen sob a inadequada denominação de Lesão Cerebral Mínima. Em 1962, um simpósio realizado em Oxford oficializou esta patologia sob o nome de Disfunção Cerebral Mínima, tendo em vista a ausência de elementos anatomopatológicos para que justificar o antigo termo "lesão"(12). Em 1968, Paine reconhecia a Disfunção Cerebral Mínima (DCM) como a mais comum afecção emocional em crianças, estimando uma incidência de 5 a 10% na população infantil geral e, também, como a maior responsável pelos problemas de aprendizagem, de comportamento ou pelos discretos desvios do funcionamento do sistema nervoso central(13). No DSM-IV a Disfunção Cerebral Mínima aparece no capítulo dos Transtornos Diagnosticados na Infância e, dentro destes, nos Transtornos da Atenção e Comportamento Disruptivo sob a denominação de Distúrbio de Déficit de Atenção por Hiperatividade(8). No CID-10 o quadro recebe o nome de Transtorno Hipercinético, código F90. Esta subclasse de distúrbios é caracterizada pelo comportamento social disruptivo e é, freqüentemente, mais penoso para outros do que para as próprias pessoas com o distúrbio.


Segundo a CID-10, esses transtornos se caracterizam por início precoce e por uma combinação de um comportamento hiperativo com desatenção marcante e grande distraibilidade. Na infância precoce o sintoma mais evidente é a hiperatividade desinibida e pobremente organizada mas que, na adolescência, pode ser substituída por diminuição da atividade. O retardo no desenvolvimento de habilidades específicas freqüentemente estão associadas à Hiperatividade e são comuns os relacionamentos inter-sociais perturbados e pobres(9). Todos autores reconhecem, entretanto, que o convívio com estas crianças é demasiadamente penoso; elas são verdadeiras experts em despertar a impaciência nos circundantes. A característica essencial do Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e de sintomas hiperativo-impulsivos causadores de prejuízo social, familiar e escolar que aparece antes dos 7 anos. Como critério apontado pelo DSM.IV para este diagnóstico deve estar presente algum prejuízo, seja familiar, social ou escolar.


A desatenção manifesta-se em qualquer situação, seja ela na escola, nas atividades e tarefas domésticas ou mesmo no ambiente social da criança. Tendo em vista o fato destas crianças não prestarem muita atenção a detalhes, elas acabam cometendo erros simples e grosseiros nos trabalhos escolares e será este o motivo pelo qual a produtividade se encontra prejudicada.


As atividades, tanto escolares quanto de lazer, freqüentemente são confusas e realizadas de maneira estabanada, resultando muitas vezes em objetos quebrados, rasuras e outros tipos de imperfeição. A inquietação dessas crianças torna difícil a persistência em tarefas até seu término. Elas podem iniciar uma tarefa, passar para outra, depois voltar a atenção para outra coisa antes de completarem qualquer uma de suas incumbências. Freqüentemente dão a impressão de estarem com a mente em outro local, ou de não escutarem o que está sendo dito. Devido à desatenção estes pacientes freqüentemente não atendem a solicitações ou instruções ou, quando fazem, realizam as incumbências de maneira falha ou incompleta. A impaciência dessas crianças faz com que as tarefas que exigem algum esforço mental sejam consideradas como desagradáveis e acentuadamente tediosas, conseqüentemente, elas acabam evitando as atividades que exigem dedicação, atenção, organização ou concentração. Estes pacientes são facilmente distraídos por estímulos irrelevantes e, habitualmente, acabam interrompendo tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais, normalmente ignorados por outras crianças.


A maneira de realizar tarefas comumente é desorganizada e os materiais necessários para a realização das mesmas costumam estar espalhados, perdidos, manuseados com descuido ou danificados. Devido à tudo isso, estas crianças hipercinéticas se esquecem de compromissos marcados, esquecem de levar o lanche para a escola, esquecem o que foram buscar na cozinha, etc. Enfim, costumam ser rotuladas como as "desligadas" da família. Na vida comunitária e/ou nas situações de grupo, a desatenção pode proporcionar freqüentes mudanças de assunto, falta de atenção ao que os companheiros dizem, distração durante as atividades de cooperação grupal e falta de atenção a detalhes e regras em jogos ou atividades.


À inspecção notamos a hiperatividade diante da inquietação do paciente ou na maneira como ele se remexe na cadeira. Isso reflete a grande dificuldade dos pacientes em permanecerem sentados. Eles se levantam com freqüência e se remexem ou se sentam na beira da cadeira, prontas para se levantarem novamente. Manuseiam objetos inquietamente, batem com as mãos e balançam pernas e braços excessivamente. Os bebês e pré-escolares com este transtorno diferem de crianças normais por estarem constantemente irrequietos e envolvidos com tudo à sua volta. Eles costumam andar para lá e para cá, movem-se "mais rápido que a sombra", sobem e escalam móveis. Em casa estas crianças costumam abandonar a mesa durante as refeições, passam a assistir televisão e fazer os deveres de casa simultaneamente; falam em excesso e podem fazer ruídos demasiados durante atividades tranqüilas. Em adolescentes e adultos, os sintomas de hiperatividade assumem a forma de inquietação e dificuldade para envolver-se em atividades tranqüilas e sedentárias.


Outra característica da Hiperatividade é a impulsividade. Esta impulsividade se manifesta como impaciência, dificuldade para protelar atitudes, respostas precipitadas às perguntas, antes mesmo delas terem sido formuladas completamente, dificuldade para aguardar sua vez em filas e interrupção freqüente nos assuntos de outros. Não é raro que estes indivíduos façam comentários inoportunos, interrompam os outros, metam-se em assuntos alheios, agarrem objetos de outros, peguem coisas que não deveriam tocar e façam palhaçadas. A impulsividade pode proporcionar acidentes tais como, derrubar objetos, colidir com pessoas, manusear inadvertidamente uma panela quente e envolver-se em atividades potencialmente perigosas. É importante o aspecto relativamente flutuante do transtorno: há situações de exacerbação e de acalmia da hiperatividade. O quadro tende a piorar em situações que exigem atenção ou esforço mental ou que não possuam um aspecto de novidade. Escutar professores, realizar deveres escolares, escutar ou ler materiais extensos ou trabalhar em tarefas monótonas e repetitivas podem ser significativamente agravantes. Por outro lado, os sinais do transtorno podem ser minimizados quando a criança se encontra sob um controle rígido, quando o contexto tem aspectos de novidade, quando se envolve em atividades interessantes, em ambientes de poucas pessoas ou enquanto recebe recompensas por um comportamento apropriado.


A hiperatividade reflete uma inquietação excessiva, principalmente em determinadas situações que requerem calma e serenidade. São bastante desinibidas no relacionamento social, imprudentes em situações que envolvem o perigo, intrometidas, zombeteiras e quase nunca esperam sua vez nas convenções socialmente estabelecidas. Como conseqüência de tudo isso, de toda esta tormenta comportamental erroneamente referida pelos avos como vivacidade, inteligência ou outro adjetivo dissimulador, a criança hipercinética não consegue performance satisfatória no aprendizado escolar e, normalmente, nesta fase a família recorre à profissionais especializados.


SINTOMAS A


Síndrome Hipercinética da Infância é uma situação clínica muito característica e, se bem observada, dificilmente deixa alguma margem de dúvida. Considerá-la uma manifestação primária ou secundária a algum transtorno afetivo, entretanto, já é uma outra questão e merece reflexão mais profunda.


Podemos considerar a constelação sintomática da seguinte maneira:


a) distúrbios neurológicos
b) distúrbios da inteligência
c) distúrbios do comportamento
d) distúrbios escolares
e) características afetivas




Parte integrante de PsiqWeb

BALLONE, G J - Psiquiatria Infantil, in. PsqWeb, programa de Psiquiatria Clínica na Internet,
Campinas, SP, 1999

BULLYING

Tudo sobre Bullying

Pesquisa realizada em 2008 em seis estados brasileiros apontou que 70% de 12 mil alunos consultados afirmaram ter sido vítimas de violência escolar. Entre as formas mais comuns, está o bullying, comportamento que inclui atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro. Nesta página, você encontra reportagens, artigos e sugestões de leitura para saber mais sobre o que está por trás deste problema e como enfrentá-lo de forma eficiente.
A revista nova escola possue em seu site uma relação de artigos sobre este tema tão debatido por pais, alunos e educadores.
Realmente, qual será o motivo que leva uma pessoa a destratar outra?
Eu como mãe, pedagoga e dentre pouco tempo psicopedagoga, tento realmente entender o que de fato faz com que crianças e adolescentes pratiquem maldades na vida de outro ser humano. O que os leva a isso? O que ganham? Sentem algo bom?
Por causa do bullying meu filho João repetiu de ano e neste ano de 2011 está em novo colégio, onde mais uma vez passou por este constrangimento. Digo passou por que acredito que tenha de fato passado, pois tive que intimar a escola a tomar providências.
Não agi como educadora, agi como mãe. Como orientação dada a poucas semana em rede nacional de televisão, disse que continuando a perseguição, levaria o caso a policia. Bem, resumindo o texto, meu filho disse que no dia seguinte o menino foi se desculpar com ele e desde então as coisas estão tranquilas.
Os pais não podem ficar omissos achando que somente à escola tem o dever de fazer algo. Os pais também tem grande parcela de culpa, pois devem orientar seus filhos a serem pessoas com ética. Não fazerem ou falarem nada que não gostariam que fizessem com eles. É isso e um pouco mais que oriento aos meus.
A educação vem de casa. Como pais não devemos sobrecarregar as escolas a terem que fazer aquilo que é nosso dever e obrigação.
Lu Moraes

.
ttp://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/tudo-bullying-433208.shtml

domingo, 25 de setembro de 2011

ATIVIDADES SOBRE A DENGUE


VIVER E APRENDER...

O PORQUINHO FEIO TEXTO COM INTERPRETAÇÃO

O Porquinho Feio







Era uma vez uma mamãe pata que tinha cinco filhotes. Quatro deles eram os patinhos mais lindinhos, fofinhos e amarelinhos que você pode imaginar.
Mas o quinto era cor de rosa, tinha focinho e um rabinho enrolado.
“Ele é muito crescido para a sua idade”, pensava mamãe pata. “Será que ele é um filhote de peru como todos dizem?”
Mamãe pata levou seus filhotes para a aula de natação no lago. Todos os patinhos pularam logo na água, até o cor de rosa, apesar de ele não nadar tão bem como seus irmãos.
“Bem, aquele patinho com certeza não é um peru!”, pensou sua mãe.
No dia seguinte, chegou a hora de grasnar. Mamãe pata soltou um QUAC e cada um de seus filhotes a imitou.
Mas, quando chegou a vez do patinho cor de rosa, no lugar de QUAC, ouviu-se ÓINC!
―Ele não é um pato! –gritaram todos. ―Ele é um porquinho feio, e não pertence ao nosso meio!
E, assim dizendo, enxotaram o porquinho dali.
Cansado, faminto e abandonado, o porquinho feio vagou durante vários dias em busca de um novo lar.
Mas nem o passarinho lhe dava atenção.
―Suma daqui, seu porquinho feio! – gritavam, assim que o viam.
Um dia, o porquinho feio chegou a uma fazenda, e viu alguns porcos.
Aproximando deles falou:
― Eu sei que sou um porquinho feio, mas será que posso ficar aqui, morando com vocês?
― Um porquinho feio?! – eles exclamaram.
―Você é o porco mais lindo que já vimos!
E, daquele dia em diante, ele viveu feliz para sempre.

(Sugald Steer – São Paulo: Brinque-Book,1999)

Interpretação do texto

1 – Quem são os personagens da história?

2 – Qual foi a primeira lição que a mamãe pata ensinou a seus filhotes?

3 – Quando foi que a mamãe pata descobriu que o porquinho não era um pato?Por quê?

4 – O que a mamãe e os patinhos fizeram com o porquinho depois da descoberta? Assinale a resposta correta:
( ) Ensinaram o porquinho a ser como um pato.
( ) Mandaram o porquinho embora.

5 – Quanto tempo o porquinho vagou à procura de um novo lar?

6 – Em que momento da história o porquinho conseguiu ser feliz?

7 – A história conta que nem um passarinho quis lhe dar atenção. Copie da história o que o passarinho disse a ele.

BLOG:ARCO IRIS

domingo, 18 de setembro de 2011

Prova Brasil de Língua Portuguesa - 9º ano:

Prova Brasil de Língua Portuguesa - 9º ano:
procedimentos de leitura
Esta prova exige repertório para ler e entender textos dos mais simples aos mais complexos, dependendo do vocabulário, da organização e das pistas linguísticas, entre outros aspectos. A análise das questões e as sugestões didáticas a seguir são de Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10


(Descritor 1)

Seja Criativo: Fuja das Desculpas Manjadas



Entrevista com teens, pais e psicólogos mostram que os adolescentes
dizem sempre a mesma coisa quando voltam tarde de uma festa.
Conheça seis desculpas entre as mais usadas. Uma sugestão: evite-as.
Os pais não acreditam.
5 - Nós tivemos que ajudar uma senhora que estava passando muito
mal. Até o socorro chegar... A gente não podia deixar a pobre
velhinha sozinha, não é?
- O pai do amigo que ia me trazer bateu o carro. Mas não se pre-
ocupem, ninguém se machucou!
10 - Cheguei um minuto depois do ônibus ter partido. Aí tive de ficar horas esperando uma carona...
- Você acredita que o meu relógio parou e eu nem percebi?
- Mas vocês disseram que hoje eu podia chegar tarde, não se
lembram?
15 - Eu tentei avisar que ia me atrasar, mas o telefone daqui só dava
ocupado!



1. De acordo com o texto, os pais não acreditam em
(A) adolescentes.
(B) psicólogos.
(C) pesquisas.
(D) desculpas.

Minha Sombra



5 De manhã a minha sombra
com meu papagaio e o meu macaco
começam a me arremedar.
E quando eu saio
a minha sombra vai comigo
fazendo o que eu faço
seguindo os meus passos.
10
Depois é meio-dia.
E a minha sombra fica do tamaninho
de quando eu era menino.
15 Depois é tardinha.
E a minha sombra tão comprida
brinca de pernas de pau.

Minha sombra, eu só queria
ter o humor que você tem,
20 ter a sua meninice,
ser igualzinho a você.

E de noite quando escrevo,
fazer como você faz,
como eu fazia em criança:
25 Minha sombra
você põe a sua mão
por baixo da minha mão,
vai cobrindo o rascunho dos meus poemas
sem saber ler e escrever.


LIMA, Jorge de. Minha Sombra In: Obra Completa. 19. ed. Rio de Janeiro: José Aguillar Ltda., 1958.

2. De acordo com o texto, a sombra imita o menino
(A) de manhã.
(B) ao meio-dia.
(C) à tardinha.
(D) à noite.


Prezado Senhor,



5 Somos alunos do Colégio Tomé de Souza e temos interesse em
assuntos relacionados a aspectos históricos de nosso país, princi-
palmente os relacionados ao cotidiano de nossa História, como era
o dia a dia das pessoas, como eram as escolas, a relação entre pais
e filhos etc. Vínhamos acompanhando regularmente os suplementos
publicados por esse importante jornal. Mas agora não encontramos
mais os artigos tão interessantes. Por isso, resolvemos escrever-lhe
e solicitar mais matérias a respeito.

3. O tema de interesse dos alunos é
(A) cotidiano.
(B) escola.
(C) História do Brasil.
(D) relação entre pais e filhos

Análise
As três questões solicitam a habilidade de localizar informações explícitas em um texto. Itens desse tipo oferecem diferentes graus de complexidade, pois os dados solicitados podem vir expressos literalmente no texto ou na forma de paráfrase. Para responder corretamente, é preciso ter a habilidade de seguir as pistas fornecidas. No caso da pergunta relacionada ao texto Seja Criativo: Fuja das Desculpas Manjadas, o caminho para chegar à resposta é ficar atento ao que aparece no primeiro parágrafo, linha 3. É necessário retomar o texto e localizar a informação que completa a frase "Os pais não acreditam em... desculpas." Para responder ao item ligado ao poema Minha Sombra, o caminho é localizar a passagem que apresenta uma ideia semelhante à imitação, já que esse termo não aparece no texto. O sexto verso da primeira estrofe - "fazendo o que eu faço" - representa um jeito de dizer que se imita. A ideia aparece, portanto, na primeira estrofe, que mostra como é o comportamento da sombra pela manhã. Já a questão relativa ao texto Prezado Senhor, apresenta uma complexidade maior do que as anteriores. Para não se confundir com as alternativas propostas, o jovem tem de entender que o interesse dos alunos do Colégio Tomé de Souza não é o cotidiano, mas o cotidiano de nossa história. Ou seja, o texto especifica muitos interesses, mas que ficam subordinados a um que é geral: História do Brasil.

Orientações
Para trabalhar a habilidade relacionada a esse descritor, ler junto com os estudantes textos de diferentes gêneros e conversar muito sobre os sentidos deles é uma boa estratégia. Vale lembrar que compreensão e interpretação não são atividades que se realizam após a leitura, mas durante ela. Em seguida, o ideal é recuperar com a turma as ideias principais e mostrar como elas formam blocos significativos no texto.

Descobrir sentido da expressão (Descritor 3)

O Sapo
Era uma vez um lindo príncipe por quem todas as moças se apaixonavam. Por ele também se apaixonou a bruxa horrenda que o pediu em casamento. O príncipe nem ligou e a bruxa ficou muito brava. "Se não vai casar comigo não vai se casar com ninguém mais!" Olhou fundo nos olhos dele e disse: "Você vai virar um sapo!" Ao ouvir esta palavra o príncipe sentiu estremeção. Teve medo. Acreditou. E ele virou aquilo que a palavra feitiço tinha dito. Sapo. Virou um sapo.

ALVES, Rubem. A Alegria de Ensinar. Ars Poética, 1994.

1. No trecho "O príncipe NEM LIGOU e a bruxa ficou muito brava", a expressão destacada significa que
(A) não deu atenção ao pedido de casamento.
(B) não entendeu o pedido de casamento.
(C) não respondeu à bruxa.
(D) não acreditou na bruxa.

Duas Almas


5 Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
10 e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

WAMOSY, Alceu. Livro dos Sonetos. L&PM.

2. No verso "e a minha alcova tem a tepidez de um ninho" (v. 6), a expressão sublinhada dá sentido de um lugar
(A) aconchegante.
(B) belo.
(C) brando.
(D) elegante.

Análise
Ambas as questões testam a competência de inferir o sentido de uma palavra ou expressão. Aqui lida-se com diferentes níveis de significação dos termos e é preciso relacionar informações, observando o sentido denotativo e conotativo deles. Na primeira questão, ligada ao texto O Sapo, tem-se de acionar o repertório linguístico para inferir o significado no texto de "nem ligou". Essa é uma expressão que os falantes de língua portuguesa usam cotidianamente. No caso, ela indica que o príncipe não deu atenção ao pedido de casamento e deve ser entendida no sentido figurado. Já a palavra "tepidez", relacionada ao texto Duas Almas, é um pouco mais difícil por não ser comum no repertório da garotada do 9º ano. No sentido literal, ela significa mornidão. Acertar a resposta requer um raciocínio com base nas informações sugeridas pelas palavras conhecidas. "Ninho", no sentido conotativo, pode significar proteção e aconchego. Esse poderia ser um caminho para relacionar "tepidez" a aconchegante.

Orientações
Proponha atividades de leitura em que se possa inferir os sentidos de palavras e expressões com base no contexto para trabalhar essa competência em sala. Outra sugestão é propor exercícios em que se deve explicar denotativamente expressões que aparecem no sentido conotativo, como "ter minhoca na cabeça" e "conversa mole para boi dormir".

Descobrir uma informação no texto (Descritor 4)

O Drama das Paixões Platônicas na Adolescência




Bruno foi aprovado por três dos sentidos de Camila: visão, olfato e
audição. Por isso, ela precisa conquistá-lo de qualquer maneira.
Matriculada na 8ª série, a garota está determinada a ganhar o gato
do 3º ano do Ensino Médio e, para isso, conta com os conselhos
5 de Tati, uma especialista na arte da azaração. A tarefa não é simples,
pois o moço só tem olhos para Lúcia - justo a maior "crânio" da escola.
E agora, o que fazer? Camila entra em dieta espartana e segue as leis
da conquista elaboradas pela amiga.

Revista Escola, março 2004, p. 63

Pode-se deduzir do texto que Bruno
(A) chama a atenção das meninas.
(B) é mestre na arte de conquistar.
(C) pode ser conquistado facilmente.
(D) tem muitos dotes intelectuais.

Análise
A habilidade requerida nesta questão é inferir uma informação implícita em um texto - aquela que não está presente claramente, mas pode ser concluída. Aqui, aparecem duas pistas para deduzir algo sobre Bruno: a determinação de Camila em conquistá-lo e a palavra "gato", que no sentido figurado significa rapaz muito atraente. Considerando essas pistas, é fácil imaginar que Bruno chama a atenção das meninas.

Orientações
É fundamental ensinar a criar hipóteses interpretativas com base nas pistas apresentadas para reconhecer ideias implícitas num texto. Além disso, deve-se criar sentidos de acordo com as caracterizações de personagens, repetições de palavras, uso de figuras de linguagem etc.

Identificar tema do texto (Descritor 6)

Vínculos, As Equações da Matemática da Vida


5 Quando você forma um vínculo com alguém, forma
uma aliança. Não é à toa que o uso de alianças é um dos
símbolos mais antigos e universais do casamento. O círculo
dá a noção de ligação, de fluxo, de continuidade. Quan-
do se forma um vínculo, a energia flui. E o vínculo só se
10 mantém vivo se essa energia continuar fluindo. Essa é a
ideia de mutualidade, de troca.
Nessa caminhada da vida, ora andamos de mãos dadas,
em sintonia, deixando a energia fluir, ora nos distanciamos.
Desvios sempre existem. Podemos nos perder em
15 um deles e nos reencontrar logo adiante. A busca é permanente.
O que não se pode é ficar constantemente fora
de sintonia.
Antigamente, dizia-se que as pessoas procuravam se
completar através do outro, buscando sua metade no
20 mundo. A equação era: 1/2 + 1/2 = 1.
"Para eu ser feliz para sempre na vida, tenho que ser a
metade do outro." Naquela loteria do casamento, tirar a
sorte grande era achar a sua cara-metade.
Com o passar do tempo, as pessoas foram desenvolvendo
25 um sentido de individualização maior e a equação
mudou. Ficou: 1 + 1 = 1.
"Eu tenho que ser eu, uma pessoa inteira, com todas as
minhas qualidades, meus defeitos, minhas limitações. Vou
formar uma unidade com meu companheiro, que também
30 é um ser inteiro." Mas depois que esses dois seres inteiros
se encontravam, era comum fundirem-se, ficarem grudados
num casamento fechado, tradicional. Anulavam-se
mutuamente.
Com a revolução sexual e os movimentos de libertação
35 feminina, o processo de individuação que vinha aconte-
cendo se radicalizou. E a equação mudou de novo: 1 + 1
= 1 + 1.
Era o "cada um na sua". "Eu tenho que resolver os meus
problemas, cuidar da minha própria vida. Você deve fazer
40 o mesmo. Na minha independência total e autossuficiência
absoluta, caso com você, que também é assim." Em
nome dessa independência, no entanto, faltou sintonia,
cumplicidade e compromisso afetivo. É a segunda crise do
casamento que acompanhamos nas décadas de 70 e 80.
45 Atualmente, após todas essas experiências, eu sinto as
pessoas procurando outro tipo de equação: 1 + 1 = 3.
Para a aritmética ela pode não ter lógica, mas faz sentido
do ponto de vista emocional e existencial. Existem
você, eu e a nossa relação. O vínculo entre nós é algo diferente
50 de uma simples somatória de nós dois. Nessa proposta
de casamento, o que é meu é meu, o que é seu é seu
e o que é nosso é nosso.
Talvez aí esteja a grande mágica que hoje buscamos,
a de preservar a individualidade sem destruir o vínculo
55 afetivo. Tenho que preservar o meu eu, meu processo de
descoberta, realização e crescimento, sem destruir a relação.
Por outro lado, tenho que preservar o vínculo sem
destruir a individualidade, sem me anular.
Acho que assim talvez possamos chegar ao ano 2000
60 um pouco menos divididos entre a sede de expressão individual
e a fome de amor e de partilhar a vida. Um pouco
mais inteiros e felizes.
Para isso, temos que compartilhar com nossos companheiros
de uma verdadeira intimidade. Ser íntimo é ser
próximo, é estar estreitamente ligado por laços de afeição
e confiança.

MATARAZZO, Maria Helena. Amar É Preciso. 22.
ed. São Paulo: Editora Gente, 1992, p. 19-21

1. O texto trata PRINCIPALMENTE
(A) da exatidão da matemática da vida.
(B) dos movimentos de libertação feminina.
(C) da loteria do sucesso no casamento.
(D) do casamento no passado e no presente

Análise
Os textos são construídos basicamente de duas formas. Alguns (geralmente, os não-ficcionais) expõem explicitamente do que falarão, explicando isso por meio de conceitos. Os literários, sobretudo aqueles em prosa - como conto, fábula e romance -, apresentam o tema por trás do que acontece com os personagens. Vínculos, as Equações da Matemática da Vida trata do casamento no passado e no presente. Chega-se à resposta observando algumas características. É um texto não ficcional e logo no primeiro parágrafo dele há palavras-chave: aliança e casamento. A partir do terceiro, surgem marcas temporais: antigamente, com o passar do tempo e atualmente.

Orientação
Uma forma de desenvolver essa habilidade é ensinar a distinguir tema e figura. Em uma fábula, por exemplo, o tema está escondido por trás das ações das personagens (figuras).

As Amazônias



5 Esse tapete de florestas com rios azuis que os astronautas viram é a
Amazônia. Ela cobre mais da metade do território brasileiro. Quem viaja
pela região não cansa de admirar as belezas da maior floresta tropical do
mundo. No início era assim: água e céu.
É mata que não tem mais fim. Mata contínua, com árvores muito altas,
cortada pelo Amazonas, o maior rio do planeta. São mais de mil rios
desaguando no Amazonas. É água que não acaba mais.

SALDANHA, P. As Amazônias. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.

2. O texto trata
(A) da importância econômica do rio Amazonas.
(B) das características da região Amazônica.
(C) de um roteiro turístico da região do Amazonas.
(D) do levantamento da vegetação amazônica.

Análise
Neste item, que também avalia a capacidade de identificar o tema de um texto (como o de número 7), é preciso considerar que As Amazônias é predominantemente descritivo: muitos rios, belezas da floresta, matas sem fim, árvores altas, água em grande quantidade. Associar essas palavras citadas é o caminho para concluir que o assunto abordado são as características da região amazônica.

Orientações
Proponha atividades em que a turma tenha de perceber se o autor apresenta explicitamente o tema de um texto ou se o esconde, deixando-o por trás de fatos concretos e apresentando-o por meio do que acontece com pessoas, animais etc.

Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato (Descritor 14)

3. A frase que contém uma opinião é
(A) "cobre mais da metade do território brasileiro" (l. 2).
(B) "não cansa de admirar as belezas da maior floresta" (l. 3).
(C) "...maior floresta tropical do mundo" (l. -3-4).
(D) "Mata contínua [...] cortada pelo Amazonas" (l. 5-6).

Análise
O leitor deve ser capaz de perceber num texto um fato da opinião relativa a ele. O primeiro pode ser comprovado por qualquer um mediante dados. A opinião é pessoal e subjetiva. O que conta aqui é perceber que uma ideia subjetiva do autor aparece na frase "não cansa de admirar as belezas...".

Orientações
A leitura de textos jornalísticos é uma atividade excelente para trabalhar a habilidade. Explique que muitos veículos afirmam buscar a objetividade, a imparcialidade e a neutralidade na transmissão das notícias, o que é impossível porque a linguagem é carregada de pontos de vista e crenças de quem produz o texto. Peça que a turma rastreie nas reportagens informações que podem ser consideradas exatas e outras pessoais.

FONTE REVISTA NOVA ESCOLA: Edição Especial Prova Brasil, Agosto 2009.